28 de jun. de 2013

cronica da inocência


Crônicas da inocência

Não importa se você é rico, gordo, feio, pobre, bonito, - a criança não enxerga essas coisas. Independentemente de sexo, religião, cor, classe social - a criança ama incondicionalmente. Se você briga com ela por causa que ela fez da panela uma bateria, alguns minutos depois, portanto, ela estará ao seu lado a solicitar-lhe atenção. Se você esbraveja só porque a criança rabiscou um documento importantíssimo que você esqueceu sobre o criado-mudo; algumas horas após ela estará com a cabeça encostada no seu ombro a pedir-lhe carinho.
Quando tornamos adultos, por vezes, ouvimos sugestões do tipo: 'não seja ingênuo!' - como se isso fosse a pior coisa do mundo. Absolutamente! Minha avó, por exemplo, morreu com oitenta anos sendo ingênua, viveu muito bem, e isso nunca foi uma desvantagem: minha mãe é ótima pessoa, assim como meus tios - a educação não foi influenciada pela ingenuidade de minha vó.
E então o filho chega em casa a reclamar que o coleguinha da sala o empurrou, e o pai diz: 'Não seja bobo, filho, vá la e revide'. Pra quê? Pra gerar violência? Talvez o mais correto a fazer é ignorá-lo de modo a não mais falar com esse "coleguinha". Ok, a vida tem suas vantagens e desvantagens em fazer-nos aprender que, alguns momentos, não podemos ser tão ingênuos, mas a pureza do ser-humano tem muito de nossa consciência. Se você achar uma carteira com cem reais e o RG, você entrega ao dono?... é a sua consciência que manda!
A criança não faz por mal, não mede controle... às vezes solta um palavrão porque ouviu alguém falar, mas cabe aos pais advertir. Já diziam grandes filósofos da época Antes de Cristo: A retórica é o melhor remédio. Ou seja, quem não se comunica se estrumbica (sic). Até um ano de idade Pedro Henrique, 6, meu filho, viveu único. Daí, vieram os gêmeos, o que reduziu em 33,33% a atenção voltada para o primogênito, de maneira que causou-lhe insegurança. Soma-se a isso o fato de termos tirado a chupeta do Pedro precocemente. Resultado: chupa dedo até hoje
Passei-lhe um sermão: "Pedro, a vida não é tão fácil como parece. Ninguém vai passar a mão na sua cabeça pelo resto da vida, e você  nem vai ficar chupando esse dedo pra sempre. Esteja certo que a vida vai te dar porrada, mas não importa o quanto ela vai te bater, importa o quanto você aguenta apanhar. O que importa é resistir. Manter-se vivo,então: Força!! Enfie nessa sua cabeça que você consegue e repita: 'eu não vou chupar mais o dedo, eu vou conseguir eu vou conseguir.'" E nunca. nunca deixe os outros falar que você não pode, porque você PODE!
Após alguns segundos repetiu: "eu vou conseguir, eu vou conseguir" Funcionou! às vezes uma conversa basta, ele está no caminho a fim de atingir tal objetivo.
"Primeiro a chuva, depois o arco-íris. Acostume-se com essa ideia" autor desconhecido.

21 de jun. de 2013

Sorte!



É um significado esquisito, é distante do mundo real, inexiste, é abstrata e não acontece da noite para o dia; de modo que não é porque está escrito ‘boa sorte’ no rodapé da prova bimestral que você terá um ‘dez’! Se não estudou, não há votos de boa sorte que faça você ser o primeiro da classe. Soa-me como uma palavra jogada ao vento: Boa sorte, alguém fala quando sabe que você vai fazer uma entrevista, ou estrear uma peça. Ok, é uma maneira positiva de motivar as pessoas, e não é nenhuma equação difícil saber que conhecimento + oportunidade é =  a sorte, se compreendermos que deve-se ter o conhecimento necessário para que se tenha sorte.
Neymar tem sorte de fazer gols? Pô, o cara é o melhor jogador do Brasil - faz coisa com a bola que ninguém faz, porque treinou anos a fio pra isso - ele nasceu para jogar bola e teve sorte? Shumacker tem sorte de ganhar seis vezes o campeonato mundial? O piloto alemão tem competência e muita garra - isso chama-se preparação!
Quando passei uma temporada em Nevada – EUA, onde a jogatina é legal, em todos os cassinos havia cartazes com os rostos das pessoas que faturaram boladas milionárias nos caça-níqueis, depois, eu soube que aquilo não passava de propaganda para incentivar os azarados mais desavisados que correm o risco de, certamente, perder seus quinhões, como eu, por exemplo. Se cassino servisse para distribuir dinheiro, o mesmo não teria tanta grana! Ou seja, você até pode ganhar algumas dezenas de dólares, mas nada que trará prejuízo ao cassino avarento. As pessoas com sorrisos de ponta-a-ponta - cujas fotos estão espalhadas nos cassinos - realmente ganharam grana, mas pode ter certeza que foi bem menos que a metade do que deixaram lá suas vidas inteiras - já que são viciados!
Tampouco se nasce com a sorte. Do ponto de vista da compreensão integral desse fenômeno, quando vem à luz uma criança, a mãe fala: que menino de sorte, bonito e saudável (até vizinhos falam isso pra encher a bola!). E enche mesmo, pois a criança só não vai ter sorte na vida, como ainda vai ser bonito e saudável, de modo que, numa visão holística, isso não tem a ver com conceitos físicos e, sim, psicológicos. Por mais que a criança seja feia, ela se sentirá bonita por dentro e isso será aflorado através de sua própria energia, pois cresceu ouvindo elogios. Cresceu ouvindo que tem sorte? Vai ter! Cresceu ouvindo ouvindo que é saudável? Vai ser: o que se planta no desenvolvimento infantil trará frutos na vida adulta!
Aquilo que anda contigo, faz parte de você, quiçá, conseguirá até achar dinheiro na rua, pois, subconscientemente, o significado daquela palavra ficou inserida em sua cabeça, e foi direcionada para todas as ações que você fez, faz e fará - o que culmina em sucesso, dando o nome a isso de sorte - talvez, ao nascer, a mãe achou que a criança tivesse sorte porque veio com os olhos claros, por exemplo – não importa - quando você ouve o que gosta, essa energia é captada. ‘Sorte’ não passa de um termo incentivador.
Aí eu fui jogar na mega-sena acumulada. Vi que os três últimos números batiam com o que eu tinha em mãos. Moça, olha, acertei esses números. Como o bilhete tem código de barra, ela escaneou e disse: Veja aí no visor desse aparelhinho o quanto você ganhou. - Oito reais, só?, indaguei... no verso do bilhete diz que quem acerta a centena leva sessenta reais... – Não posso fazer nada, se a máquina fala oito reais, então é esse o valor. Saí de lá a ponto de desconfiar que a maquininha precisava de manutenção urgente. Sorte? Bah! Prefiro acreditar que a mola propulsora que me motiva a ganhar dinheiro honesto, corresponde a cada gota do suor de meu trabalho, a que pensar que um dia eu possa obter dinheiro com jogos! Os sessenta reais foram divididos em várias pessoas que também acertaram a centena – por isso recebi pouco. Talvez eu seja cético demais para acreditar que vou ganhar na loteria por pura sorte, ou qualquer coisa que valha.

“Você não pode esperar ser um cão sortudo, se passa todo seu tempo rosnando” autor 

6 de jun. de 2013

A cara do Brasil



Segue abaixo comentário de um aluno que nasceu na França e rodou boa parte do mundo. Atualmente, George está no Brasil.
-Aqui no Brasil, tem três vocábulos para a mesma palavras: mandioca, aipim e macaxeira. Lá  na França nem existe mandioca. -Aqui no Brasil, não se pode tocar a comida com as mãos. Nos fast-foods, hambúrgueres se come dentro de um guardanapo. Toda mesa de bar, restaurante ou lanchonete tem guardanapos e palitos. Até no açougue a carne é embalada, tudo higiênico. -Aqui no Brasil, os casais, dentro dos restaurantes sentam um do lado do outro como se estivessem no banco traseiro de um carro!
-Aqui no Brasil, não tem o conceito de refeição com entrada, prato principal, queijo, e sobremesa separados. Em geral se faz um prato com tudo: verdura, carne, queijo, arroz e feijão. Aqui no Brasil, todo mundo gosta de pipoca e de cachorro quente, não entendo! Aqui no Brasil pode-se pedir a metade da pizza de um sabor e a metade de outro, ideia simples e genial! Há muita comida aqui: desperdiça-se demais. -Aqui no Brasil, se produz o melhor café do mundo e em grandes quantidades. Uma pena que, em geral, se prepare muito mal e cheio de açúcar. 
-Aqui no Brasil, não falta espaço. Falam que o país tem dimensões continentais. E é verdade, daria para caber a humanidade inteira no Brasil. Mas então se tiver tanto espaço, por que é que as garagens dos prédios são tão estreitas? E por que não tem ciclovias? E por que nas calçadas os pedestres não conseguem passar direito? -Poucos são os brasileiros que conhecem artistas argentinos ou colombianos. O Brasil, às vezes, parece uma ilha gigante na América latina, embora tenha uma fronteira com quase todos os outros países do continente. Praias bonitas não faltam, mas eles insistem em ir para Europa e conhecem mais lugares do que eu. Não poupam: Gastam suas moedas com viagens! Sequer conhecem a Amériaca do Sul. -Aqui no Brasil, os chineses são japoneses.
-Aqui no Brasil, parece que a profissão onde as pessoas são mais felizes é coletor de lixo. Eles estão sempre empolgados, correndo atrás do caminhão como se fosse um trio elétrico do carnaval. Eles também são atletas: têm energia para correr, jogar as sacolas, gritar, e ainda falar com as mulheres passando na rua. -Aqui no Brasil, no táxi nunca se paga o que está escrito.
 -Aqui, a vida anda devagar. É normal estar preso no trânsito o dia todo e ficar 10 minutos na fila do supermercado, nem que tenha apenas uma pessoa na sua frente. Demora para passar a compra e, muitas vezes, a pessoa do caixa tem que digitar os códigos de barra na mão. Às vezes ela pede ajuda para outro funcionário. Mas, na hora de retirar o cartão é rápido: “pode retirar, senhora!”. -Aqui no Brasil, não se assuste se for convidado para uma festa de aniversário de dois anos de uma criança. Vai ter mais adultos do que crianças, e mais cerveja do que suco de laranja. Também não se assuste se parece mais com a coroação de um imperador romano do que com o aniversário de dois anos. É ‘normal’. 
-Aqui no Brasil, sinais exterior de riqueza são muito comuns: carros importados, restaurantes caríssimos em bairros chiques, clubes seletivos cujas cotas atingem valores estratosféricas -Aqui tudo se organiza em fila: fila para pagar, fila para pedir, fila para entrar, fila para sair e fila para esperar a próxima fila. E duas pessoas já bastam para constituir uma fila. -Aqui no Brasil, o ano começa “depois do Carnaval”. 

"Aprendi que eu não vou contentar todo mundo. Apenas estar em paz comigo mesmo, já é o suficiente" - autor desconhecido (fonte: site de videos).

31 de mai. de 2013

Brasil visto por outros olhos


Tenho um aluno que nasceu na Holanda, mora na França, conhece boa parte da Europa, já viveu no Japão, e agora trabalha no Brasil. Segue abaixo algumas coisas interessantes sobre a nossa cultura vista por outros olhos.
-Aqui no Brasil, relacionamentos são codificados e cada etapa tem um rótulo: peguete, ficante, namorada, noiva, esposa, ex-mulher, rolo, galho. -Aqui no Brasil, tem um jeito estranho de falar coisas muito comuns. Por exemplo, quando encontrar uma pessoa, pode falar “bom dia”, mas também se fala “e aí?”. E aí o que? Parece uma frase abortada, que não há continuação. Às vezes eles respondem: “imagina”. Imagina o que? -Aqui no Brasil é comum conhecer alguém, bater um papo e falar: “a gente se vê, vamos combinar, tá?”, e nem trocar telefone. -Aqui no Brasil, a palavra “aparecer” em geral significa, “não aparecer”. Exemplo: “Vou aparecer mais tarde” significa na prática “não vou, não”. -Aqui no Brasil, marcar um encontro às 20h significa às 21h ou depois. Principalmente se tiver muitas pessoas envolvidas. Quando encontra-se com uma pessoa, se fala: “Beleza?” e a resposta pode ser “Jóia”. Traduzindo numa outra língua, parece que faz pouco sentido, ou parece um diálogo entre o Dalai-Lama e seu discípulo. Por exemplo, em inglês: “The beauty?" –"The joy!”. Como se fosse um duelo filosófico de conceitos abstratos.
-Aqui no Brasil, a torneira sempre pinga. -Aqui, os homens se abraçam muito. Mas não é só um abraço: se abraça, se toca os ombros, a barriga ou as costas. Mas nunca se beija. -Aqui no Brasil, o polegar erguido é sinal pra tudo: “Tá bom?”, “obrigado”, “desculpa”. -Aqui, quando você tem algo pra falar, é bom avisar que vai falar antes de falar. Assim, se ouve muito: “vou te falar uma coisa”, “deixa te falar uma coisa”, “é o seguinte...”, e até o meu preferido: “olha só pra você ver”. -Aqui no Brasil, as pessoas saem da casa dos pais quando casam. Assim, tem bastante pessoas de 30 anos ou mais morando com os pais porque ainda não casaram! -Aqui, os homens não sabem fazer nada das tarefas do dia a dia: não sabem faxinar, nem usar uma máquina de lavar. Não sabem cozinhar, nem a nível de sobrevivência: fazer arroz ou massa. Não podem concertar um botão de camisa. Nem pneu de carro trocam. Gasolina é alguém que põe por você no posto!
-Aqui no Brasil, se acha todo tipo de nomes, e muitos nomes americanos abrasileirados: Gilson, Rickson, Denilson, Maicon, etc. -Aqui, os homens se vestem mal, ou seja, não ligam. Parece que a beleza exterior não importa! Sapatos para correr se usa no dia a dia, sair de short, chinelo e camiseta é comum. Eles saem de roupas de esportes sem a intenção de praticar esporte. -Aqui no Brasil, a música faz parte da vida. Qualquer lugar tem música ao vivo. Muitos brasileiros sabem tocar violão um pouco. Existem músicos talentosos, mas eles nem tocam as próprias músicas. Bares estão cheios de bandas de cover. -Aqui no Brasil, quando um filme passa na televisão, não passa uma vez só. Se perder pode ficar tranquilo que vai passar mais umas dez outras vezes nos próximos dias. Assim já vi “Hitch, conselheiro amoroso” umas quatro vezes sem querer assistir nenhuma. E novela é mais importante do que cinema. Mas o cinema nacional aqui é bem legal!
-Aqui no Brasil, futebol é quase religião. Esporte aqui é: ou academia ou futebol. O clima é muito bom. Tem bastante sol, todas as condições estão reunidas para poder curtir atividades fora. Porém, aos domingos, se quiser encontrar uma alma viva no meio da tarde, tem que ir pro shopping. As ruas estão às moscas, mas os shopping estão lotados. Shopping é a coisa mais sem graça do Brasil.
-Aqui no Brasil, o povo é muito receptivo. É natural acolher alguém novo no seu grupo de amigos. Isso faz a maior diferencia do mundo. Obrigado brasileiros!

"Gaste um pouco mais de tempo sendo quem você é. E um pouco menos de tempo tentando impressionar os outros." autor desconhecido

16 de mai. de 2013

O menino que não queria fazer papel de árvore




O colégio onde Mário estudava mostraria para pais, alunos, funcionários e convidados a peça do ano. Era um trabalho teatral em comemoração ao ano letivo e Mário foi escalado para fazer o papel de árvore na história, em que consistia em se fantasiar de árvore e ficar plantado no fundo do palco do começo ao fim da peça - nada extraordinário ao seu ver.
Toda vez no almoço, quando a família estava sentada à mesa, o menino comentava a mesma coisa com seus pais:
-Mãe, a peça vai começar daqui um mês e nós já iniciamos os ensaios, mas eu nem quero ir. -Por que não, filho? -Por causa dessa árvore ridícula que eu tenho que fazer. O garoto até tinha razão, de modo que não havia motivo ensaiar para um papel de árvore - a bem da verdade é que Mário estava cabisbaixo.
No dia seguinte o menino queixou-se outra vez. Sempre falava da tal árvore, até que um dia o pai procurou resolver a questão. Entre uma garfada e outra ele pergunta: -Filho, como é o nome da peça? -Chama-se 'Não leve meu sol embora'. -Então você pode ter certeza que a árvore é muito importante pra essa peça. -Por que pai? -Porquê árvores se alimentam de luz solar. Após o pai explicar o papel da árvore na natureza, cuja importância é vital para o ser humano, o menino, entendeu, porém, o pai percebeu que o filho ainda precisava de um incentivo: -Vem cá filho, vou te mostrar uma coisa.
O pai guardava um carro antigo na garagem, mas era muito conservado. Até capa tinha a fim de não pegar poeira. Quando chegaram na garagem, o pai perguntou: -O que você vê aqui filho? -Um carro que você guarda na garagem, pai. O experiente moço retirou a capa, abriu o capô e disse: -E agora, o que vê? -Bom, eu vejo um montão de parafusos e peças que eu nem sei o que é. -Pois bem filho, esse montão de peças e parafusos são essenciais para o bom funcionamento do veículo. Tá vendo esse parafuso aqui? -Tô! -Então tome essa chave de fenda e tire ele. O menino fez a simples tarefa, ao que o pai pediu: -Agora ligue o carro. O menino fez a tarefa novamente, porém sem sucesso. -Ih pai... acho que seu carro tá velho, nem ligou. -É... eu percebei que não ligou! Filho, faz um favor, então: rosqueie esse parafuso de onde você tirou e depois tente ligar o carro de novo. O menino assim fez e o carro realmente funcionou.
O pai não precisou falar nada. Naquela mesma noite eles assistiram um jogo de futebol na TV, já que o time preferido de ambos fariam uma árdua partida. O goleiro tinha sido o melhor jogador do confronto e, ao término do duelo, o pai salientou: -Tá vendo filho, imagine se não tivesse goleiro... todos são importante numa equipe, principalmente sua árvore. Vá lá e encare-a como o melhor papel da peça; como a melhor profissão do mercado; como o componente principal de um carro. Seja o goleiro da sua apresentação, e faça o melhor que há dentro de você.
Convenhamos que papel de árvore, de fato, não requer tantos desafios, mas isso era o de menos para uma criança que se sentia motivada, feliz e preparada. E o que importa, não é a quantidade de aplausos exteriores; e sim a sensação de paz interior pelo dever cumprido.

"Nossas dádivas são traidoras, e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar" - autor desconhecido.

10 de mai. de 2013

Mãe só tem uma




Ter filhos não é fácil. Mães sabem disso melhor que pais. Para o gênero masculino a rotina não muda tanto quanto a da mãe, já que, por vezes ela deve abdicar do trabalho, entre outras coisas. À medida que as fases das crianças vão passando, percebemos vantagens e desvantagens. Os pequenos acordam de madrugada e não deixam você dormir, e ainda confundem panela com disco voador. 
Não há maneira errada de se cuidar de filhos. Cada mãe sabe onde o calo aperta. A mãe moderna é mais permissiva, sai junto com a filha e até aconselha que namorado ter. Só ela sabe o que é melhor. Se a mãe é uma pessoa que tem uma vida agitada, sai de manhã para trabalhar, leva os filhos na escola, no final do dia vai ao supermercado, e ainda leva o filho para a festa do amiguinho, então significa que esses filhos vão crescer com cabeça-aberta e, que nesse mundo, existe muito mais coisa a ser vista do que nossa vã ideia possa imaginar. Agora, se a mãe e uma dona de casa, não consegue deixar seu lar nem por decreto, então, uma filha, por exemplo, não terá referência do que é sair, e não saberá que o mundo pode ser grande. As duas situações são válidas. As duas situações demandam aprendizado.
O sentimento de mãe é onipresente, mesmo  sem filhos, já que a mulher é capaz de tratar bem os amigos, familiares, e até bichinhos de estimação - é a famosa mãe de todos. Esse é um sentimento de doação, carinho e proteção. Existem também as mães teimosas que, pelo excesso de proteção não vai deixar nada acontecer com o filho. Aí é que está: tem que acontecer algo para aprender com a vida! Ainda que exista muito amor em todas essas manias de mães, elas são tão cautelosas quanto conselheiras.
Ser mãe é insubstituível e, porque mãe só tem uma!

"Você sempre será uma criança enquanto tiver uma mãe a quem recorrer" - Sara Ornet Jewet (1849 - 1909), romancista americana.

26 de abr. de 2013

O sorvete de bola




Se existe algo unânime entre todos os seres humanos, o hábito de viajar pontua os primeiros lugares na lista das paixões. Independentemente de sexo, idade, religião, poder aquisitivo, sempre haverá um lugar para passear, comprar, descansar, e se entreter ao modo que lhe convém.
Filhos, esposa e eu fomos a um parque aquático, e era uma coisa que eu nunca antes vira: uma lagoa coberta com marolas. Havia crianças a brincar; idosos que se banhavam; pessoas que se divertiam. Era uma verdadeira represa, daquelas de fazer inveja no monstro do Lago Ness -  tinha tanta água que havia inúmeros tampões a fim de bloquear a passagem da mesma para que não escorresse cidade afora, já que o parque ficava nas proximidades urbanas da região, bem como um açude. Diziam que ali havia quase um milhão de metrso cúbicos de água – muita coisa! Entorno havia orlas para passear, bancos para sentar, restaurantes, bares, sorveterias, enfim, um centro de consumo diverso: um ponto turístico ímpar.
As ondas vinham de pouco em pouco, mas começaram a crescer. Eu estava num banco sentado, de modo que meus três filhos compreendiam o ângulo de minha visão. Minha esposa tinha ido buscar um sorvete de bola.
Sem saber de onde, nem como, eis que, repentinamente, surge uma grande onda. Ninguém ali naquele lugar tinha tempo pra nada e, quando dei por conta, a coisa estava sobre minha cabeça, segurei firme no banco e existem momentos na vida em que a gente tem cem por cento de certeza das coisas, e ali me convenci que nenhum cristão sobreviveria. Fazer o que? Sempre digo que se algo tiver que acontecer, que seja comigo; se tiverem que sequestrar meus filhos, me levem. Se tiver que me atirar na frente de uma bala para salvar a vida deles, não tem problema. Coloco a família em primeiro plano e estou sempre um passo à frente, a fim de protegê-los. Mas ali não tinha jeito. A tsunami arrastou tudo!
Quando eu estava debaixo d`água e não tinha mais fôlego, a corrente me puxou ainda mais para baixo, porém, me levou a uma vala que parecia um bolsão de ar. Fiquei preso ali, e pensava na família. O maremoto só acabou porque os tampões foram arrebentados pela força da água: inundou a cidade e, no lugar da gigante piscina, ficou um imenso vale seco – a água escoou toda. Havia muitas pessoas ao chão. Desesperei-me em busca da família. Perguntava a todos se haviam visto crianças, mas estavam aterrorizados. Alguém me disse com infeliz realidade que a chance de terem sobrevivido era impossível.
Horas depois, o resgate apareceu e, em minha direção, uma moça trazia uma maca de dois andares, tal como um beliche. Na parte de baixo, meu filho Lorenzo. Na parte de cima, meu outro filho Pedro Henrique - os dois intactos como pedra. Minutos após, Lorenzo começou a se mexer, peguei-o no colo, mas o Pedro nem sinal e tentei reanimá-lo, de modo que demorou a abrir os olhos, porém, quando o fez, transbordou em felicidade ao me ver: minha emoção aflorou.
Faltava minha outra filha e minha mulher, eu já estava desesperado e assustado, não sabia o que fazer e fiquei no local sem me mover, foi quando apareceu minha esposa de mãos dadas com a menininha. Ambas, felizes, vinham em minha direção e, Lara, com uma das mãos segurava um sorvete de bola.

“Não se prende a natureza, pois quando se libertar revoltará em fúria”. – autor desconhecido.