15 de jun de 2012

Um amor de leão




Era uma vez na antiga Roma um escravo que, cansado de tantos maus-tratos fugiu. Ele andou, andou e, por fim encontrou abrigo numa caverna em em meio às montanhas. Sem rumo, a ideia era chegar em algum lugar um tanto civilizado, de modo que, à luz da lua, sob as estrelas dormiu na caverna, de modo que acordou assustado com um rugido de um grande leão.
O escravo ficou apavorado, já que estava encurralado dentro da caverna, e o leão rugia cada vez mais, porém, como demorou a atacá-lo, o escravo logo percebeu que ele sentia dor porqeu havia um espinho em sua pata. Sim, porque bichos caçam à noite e o leão já havia tido seu lauto banquete àquela hora da manhã. Dizem que se um ser humano passar a mão na boca de um leão que acabou de comer, o animal não fará nada. (não vou pagar pra ver!).
De maneira que o espinho o encomodava muito. O escravo logo percebeu o sofrimento alheio e, de um forte puxão, o espinho saiu. O animal ficou muito feliz e aliviado, encostou a cabeça no pobre moço, como se dissesse 'obrigado'. Lambeu o homem de alegria. Algumas horas depois o escravo foi encontrado e, naquela época em Roma, escravos traiçoeiros eram jogados na arena junto com feras famintas largados à propria sorte. E assim foi feito. Quando o escravo entrou no recinto, o público se manifestou em forma de urros e gritos - o que parecia mais a final a copa do mundo, ou o último dia da temporada da fórmula 1.
O escravo estava super assustado e sabia que morreria. Um leão foi solto, pois. Corria e corria na direção do rapaz e, de um salto bem logo, atacou o sujeito, mas mesmo com fome, o bicho jamais comeria aquele que lhe ajudou na caverna. Sim, invés de uma corriqueira luta entre homens e feras, o que se viu foram abraços leoninos (o que, aliás, eu não quero experimentar!).
O público, ao ver tudo aquilo, não compreendia. Os dois estavam muito felizes em plena arena, e era a primeira vez que um homem não saía morto de lá. De modo que o escravo se manifestou para todos ouvirem: - Eu sou um ser-humano como todos vocês, porém, sendo escravo, nunca ninguém buscou minha amizade. Esse leão não vê cara e sim corção! Na caverna fizemos uma bela amizade, ele cuidou de mim, me protegeu do frio, do calor, me levou onde havia água, fiz fogueiras em noites frias, ele me trazia comida, eu o ajudei e, também, por vezes, o protegi de caçadores quando pude e, agora, é a primeira vez que sinto o que é ter um irmão.
Diante de tais comoções o Rei estava prestes a lhe conceder a escolha de continuar a ser um escravo e viver entre humanos; ou seguir em liberdade e viver como bicho. Convictamente o moço quis a liberdade. O povo clamou para que o leão também não mais fizesse parte desses eventos sanguinolentos e, aos dois, foi concedido um presente: viver juntos por muitos anos.

Um verdadeiro amigo é alguém que pega a sua mão e toca o seu coração.” - Gabriel García Márquez – escritor colombianao (1927 – ).

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