31 de mai de 2013

Brasil visto por outros olhos


Tenho um aluno que nasceu na Holanda, mora na França, conhece boa parte da Europa, já viveu no Japão, e agora trabalha no Brasil. Segue abaixo algumas coisas interessantes sobre a nossa cultura vista por outros olhos.
-Aqui no Brasil, relacionamentos são codificados e cada etapa tem um rótulo: peguete, ficante, namorada, noiva, esposa, ex-mulher, rolo, galho. -Aqui no Brasil, tem um jeito estranho de falar coisas muito comuns. Por exemplo, quando encontrar uma pessoa, pode falar “bom dia”, mas também se fala “e aí?”. E aí o que? Parece uma frase abortada, que não há continuação. Às vezes eles respondem: “imagina”. Imagina o que? -Aqui no Brasil é comum conhecer alguém, bater um papo e falar: “a gente se vê, vamos combinar, tá?”, e nem trocar telefone. -Aqui no Brasil, a palavra “aparecer” em geral significa, “não aparecer”. Exemplo: “Vou aparecer mais tarde” significa na prática “não vou, não”. -Aqui no Brasil, marcar um encontro às 20h significa às 21h ou depois. Principalmente se tiver muitas pessoas envolvidas. Quando encontra-se com uma pessoa, se fala: “Beleza?” e a resposta pode ser “Jóia”. Traduzindo numa outra língua, parece que faz pouco sentido, ou parece um diálogo entre o Dalai-Lama e seu discípulo. Por exemplo, em inglês: “The beauty?" –"The joy!”. Como se fosse um duelo filosófico de conceitos abstratos.
-Aqui no Brasil, a torneira sempre pinga. -Aqui, os homens se abraçam muito. Mas não é só um abraço: se abraça, se toca os ombros, a barriga ou as costas. Mas nunca se beija. -Aqui no Brasil, o polegar erguido é sinal pra tudo: “Tá bom?”, “obrigado”, “desculpa”. -Aqui, quando você tem algo pra falar, é bom avisar que vai falar antes de falar. Assim, se ouve muito: “vou te falar uma coisa”, “deixa te falar uma coisa”, “é o seguinte...”, e até o meu preferido: “olha só pra você ver”. -Aqui no Brasil, as pessoas saem da casa dos pais quando casam. Assim, tem bastante pessoas de 30 anos ou mais morando com os pais porque ainda não casaram! -Aqui, os homens não sabem fazer nada das tarefas do dia a dia: não sabem faxinar, nem usar uma máquina de lavar. Não sabem cozinhar, nem a nível de sobrevivência: fazer arroz ou massa. Não podem concertar um botão de camisa. Nem pneu de carro trocam. Gasolina é alguém que põe por você no posto!
-Aqui no Brasil, se acha todo tipo de nomes, e muitos nomes americanos abrasileirados: Gilson, Rickson, Denilson, Maicon, etc. -Aqui, os homens se vestem mal, ou seja, não ligam. Parece que a beleza exterior não importa! Sapatos para correr se usa no dia a dia, sair de short, chinelo e camiseta é comum. Eles saem de roupas de esportes sem a intenção de praticar esporte. -Aqui no Brasil, a música faz parte da vida. Qualquer lugar tem música ao vivo. Muitos brasileiros sabem tocar violão um pouco. Existem músicos talentosos, mas eles nem tocam as próprias músicas. Bares estão cheios de bandas de cover. -Aqui no Brasil, quando um filme passa na televisão, não passa uma vez só. Se perder pode ficar tranquilo que vai passar mais umas dez outras vezes nos próximos dias. Assim já vi “Hitch, conselheiro amoroso” umas quatro vezes sem querer assistir nenhuma. E novela é mais importante do que cinema. Mas o cinema nacional aqui é bem legal!
-Aqui no Brasil, futebol é quase religião. Esporte aqui é: ou academia ou futebol. O clima é muito bom. Tem bastante sol, todas as condições estão reunidas para poder curtir atividades fora. Porém, aos domingos, se quiser encontrar uma alma viva no meio da tarde, tem que ir pro shopping. As ruas estão às moscas, mas os shopping estão lotados. Shopping é a coisa mais sem graça do Brasil.
-Aqui no Brasil, o povo é muito receptivo. É natural acolher alguém novo no seu grupo de amigos. Isso faz a maior diferencia do mundo. Obrigado brasileiros!

"Gaste um pouco mais de tempo sendo quem você é. E um pouco menos de tempo tentando impressionar os outros." autor desconhecido

16 de mai de 2013

O menino que não queria fazer papel de árvore




O colégio onde Mário estudava mostraria para pais, alunos, funcionários e convidados a peça do ano. Era um trabalho teatral em comemoração ao ano letivo e Mário foi escalado para fazer o papel de árvore na história, em que consistia em se fantasiar de árvore e ficar plantado no fundo do palco do começo ao fim da peça - nada extraordinário ao seu ver.
Toda vez no almoço, quando a família estava sentada à mesa, o menino comentava a mesma coisa com seus pais:
-Mãe, a peça vai começar daqui um mês e nós já iniciamos os ensaios, mas eu nem quero ir. -Por que não, filho? -Por causa dessa árvore ridícula que eu tenho que fazer. O garoto até tinha razão, de modo que não havia motivo ensaiar para um papel de árvore - a bem da verdade é que Mário estava cabisbaixo.
No dia seguinte o menino queixou-se outra vez. Sempre falava da tal árvore, até que um dia o pai procurou resolver a questão. Entre uma garfada e outra ele pergunta: -Filho, como é o nome da peça? -Chama-se 'Não leve meu sol embora'. -Então você pode ter certeza que a árvore é muito importante pra essa peça. -Por que pai? -Porquê árvores se alimentam de luz solar. Após o pai explicar o papel da árvore na natureza, cuja importância é vital para o ser humano, o menino, entendeu, porém, o pai percebeu que o filho ainda precisava de um incentivo: -Vem cá filho, vou te mostrar uma coisa.
O pai guardava um carro antigo na garagem, mas era muito conservado. Até capa tinha a fim de não pegar poeira. Quando chegaram na garagem, o pai perguntou: -O que você vê aqui filho? -Um carro que você guarda na garagem, pai. O experiente moço retirou a capa, abriu o capô e disse: -E agora, o que vê? -Bom, eu vejo um montão de parafusos e peças que eu nem sei o que é. -Pois bem filho, esse montão de peças e parafusos são essenciais para o bom funcionamento do veículo. Tá vendo esse parafuso aqui? -Tô! -Então tome essa chave de fenda e tire ele. O menino fez a simples tarefa, ao que o pai pediu: -Agora ligue o carro. O menino fez a tarefa novamente, porém sem sucesso. -Ih pai... acho que seu carro tá velho, nem ligou. -É... eu percebei que não ligou! Filho, faz um favor, então: rosqueie esse parafuso de onde você tirou e depois tente ligar o carro de novo. O menino assim fez e o carro realmente funcionou.
O pai não precisou falar nada. Naquela mesma noite eles assistiram um jogo de futebol na TV, já que o time preferido de ambos fariam uma árdua partida. O goleiro tinha sido o melhor jogador do confronto e, ao término do duelo, o pai salientou: -Tá vendo filho, imagine se não tivesse goleiro... todos são importante numa equipe, principalmente sua árvore. Vá lá e encare-a como o melhor papel da peça; como a melhor profissão do mercado; como o componente principal de um carro. Seja o goleiro da sua apresentação, e faça o melhor que há dentro de você.
Convenhamos que papel de árvore, de fato, não requer tantos desafios, mas isso era o de menos para uma criança que se sentia motivada, feliz e preparada. E o que importa, não é a quantidade de aplausos exteriores; e sim a sensação de paz interior pelo dever cumprido.

"Nossas dádivas são traidoras, e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar" - autor desconhecido.

10 de mai de 2013

Mãe só tem uma




Ter filhos não é fácil. Mães sabem disso melhor que pais. Para o gênero masculino a rotina não muda tanto quanto a da mãe, já que, por vezes ela deve abdicar do trabalho, entre outras coisas. À medida que as fases das crianças vão passando, percebemos vantagens e desvantagens. Os pequenos acordam de madrugada e não deixam você dormir, e ainda confundem panela com disco voador. 
Não há maneira errada de se cuidar de filhos. Cada mãe sabe onde o calo aperta. A mãe moderna é mais permissiva, sai junto com a filha e até aconselha que namorado ter. Só ela sabe o que é melhor. Se a mãe é uma pessoa que tem uma vida agitada, sai de manhã para trabalhar, leva os filhos na escola, no final do dia vai ao supermercado, e ainda leva o filho para a festa do amiguinho, então significa que esses filhos vão crescer com cabeça-aberta e, que nesse mundo, existe muito mais coisa a ser vista do que nossa vã ideia possa imaginar. Agora, se a mãe e uma dona de casa, não consegue deixar seu lar nem por decreto, então, uma filha, por exemplo, não terá referência do que é sair, e não saberá que o mundo pode ser grande. As duas situações são válidas. As duas situações demandam aprendizado.
O sentimento de mãe é onipresente, mesmo  sem filhos, já que a mulher é capaz de tratar bem os amigos, familiares, e até bichinhos de estimação - é a famosa mãe de todos. Esse é um sentimento de doação, carinho e proteção. Existem também as mães teimosas que, pelo excesso de proteção não vai deixar nada acontecer com o filho. Aí é que está: tem que acontecer algo para aprender com a vida! Ainda que exista muito amor em todas essas manias de mães, elas são tão cautelosas quanto conselheiras.
Ser mãe é insubstituível e, porque mãe só tem uma!

"Você sempre será uma criança enquanto tiver uma mãe a quem recorrer" - Sara Ornet Jewet (1849 - 1909), romancista americana.