26 de jul de 2013

O primeiro papa Latino-Americano




Dia onze de fevereiro Bento 16 anunciou que deixaria o cargo e, a treze de março é eleito Jorge Mario Bergoglio, Vossa Santidade, o Papa Francisco - um jesuíta cheio de carisma que conquistou milhões de fãs com sua simplicidade.
Aqui no Brasil o primeiro lugar de sua visita foi Aparecida do Norte, de modo que, às 4 horas da manhã já havia uma fila homérica à espera do Papa . Contrariando o frio, os fieis - e não fieis também - estavam animados para ver aquele que, há pouco, assumiu o cargo mais alto da igreja católica. As pessoas que esperavam pelo Papa estavam na fila há mais de um dia, de maneira que a educação cristã desapareceu, já que muitas pessoas furavam a fila, uma vez que não havia polciamento naquela madrugada. Se o papa visse pessoas a furar fila não celebraria nem na basílica.
Os primeiros da fila chegaram ao Santuário de Nossa Sra. Aparecida às seis horas da manhã com  malas, roupas e cobertores a tiracolo e ficaram a procurar por informações durante o dia todo. O Papa só entraria pelo portão às sete horas do dia seguinte, domingo. Tinha gente que oferecia dinheiro para furar fila, pessoa que ofereciam comida para furar, porém, muitos não se vendiam, apenas queria assistir a missa.
Dentro do templo metade das cadeiras estavam reservadas às autoridades, porém, esse, não ficaram na fila a esperar mais de um dia sem comer, sem beber, sem ir ao banheiro... pelo contrário, desciam de helicóptero. Quando o Papa entrou, a emoção tomou conta dos fieis e, com sorriso no rosto, os cumprimentavam, de modo que foi bastante ovacionado por todos, embora a estrutura e organização deixaram a desejar. Fora do templo: frio e garoa. Milhares de fãs ouviram a missa do lado de fora a portar guarda chuva nas mãos.

Rio de Janeiro
Na visita à favela carioca de Varginha o Papa Francisco afirmou que só haverá paz nas comunidades se houver justiça social, "não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que abandona à margem, parte de si mesma. Queria fazer um apelo para as pessoas de mais recurso e autoridades de boa vontade que não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário" e ainda brincou que gostaria de tomar café - e não cachaça - na casa de cada brasileiros.
Para a Jornada Mundial da Juventude o Pontífície chegou às 16h. de segunda feira e foi recebido pela presidente logo no aeroporto. E pra quê carro blindado se ele deixou a janela do carro aberta, a fim de saudar a população? Desfilou pelo centro do Rio a bordo do papa móvel, beijou uma criança (que, uma hora dessas, além de abençoada, deve estar famosa) e chegou à Catedral Metropolitana que estava pintada com as cores de seu país. Vossa Santidade se encontrou com milhares de argentinos, mas o local não comportou todos os cinco mil fieis, peregrinos, voluntários, sacerdotes, simpatizantes e hermanos em geral. Tal evento, que não estava na agenda da Jornada, durou trinta minutos. Após, o Papa foi para uma festa católica na praia de Copacabana
Ontem o Papa rezou missa, ouviu confissões, se encontrou com presidiários, orou, fez reunião e assistiu à encenação da Via Sacra. Se a fé move montanha não se sabe, porém, moveu - com frio e chuva - um milhão de cariocas adoradores de sol.

“Bote fé, bote esperança e bote amor”,  Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco, (1936, Buenos Aires) durante homília.

19 de jul de 2013

esse tal de facebook...



Aí eu acordo, vou para o computador, acesso meu e-mail e abro a primeira mensagem que é uma resposta de uma agência de viagens que me informa a respeito de como conseguir vistos e morar fora. Dicas boas até! Pulo pra próxima mensagem, e a coordenadora da escola me informa dos horários pós-férias. A terceira mensagem fala assim: "Guilherme: existem informações pendentes de seus amigos." Ignoro e pulo pra próxima que diz: "Fulano de tal também comentou um status em que vc foi marcado." Ignoro. "Sr. Omar aceitou seu pedido de amizade" ainda assim pulo pra próxima, já que não lembro do sujeito. "Maria do Carmo fez um comentário em seus post". A próxima mensagem em meu e-mail diz que minha esposa curtiu fotos que eu postei, mas como nem lembro das foto, então abro e, lá estão meus filhos que coloquei na rede.
Aí já viu né... uma vez dentro da rede social você vai, inevitavelmente, explorar tudo que se passa e surfa qualquer onda dentro daquele mar de fofocas. Existem coisas interessantes como: "Dia sete de setembro Brasil vai parar: 30 milhões de brasileiros nas ruas no país todo!".  Então começo a descer a barra de rolagem de meu computador e percebo postagens mais desinteressantes que outras: "hoje acordei." Acordou o que, meu? O pior são comentários "eu também...rsrsr", "acordou bem? saúde e sucesso". Tem alguns irônicos:: "nossa... é verdade? como vc ia conseguir escrever dormindo?"e por aí segue.
Mais abaixo existe um comentário de alguma adolescente do sexo feminino com a palavra: "quero", ao que os comentários são piores: "ahahaha...",  "eu também quero...",   " qué o q?",  " legal q vc quer, Ana... mas o que exatamente?",  "então vai querendo porque eu n te dou - ahahah", "fica querendo, então," Chego à conclusão que isso é um santo remédio para quem não tem nada a fazer - e olha que quase todo mundo tem "nada pra fazer", aliás, a gente arruma tempo pra tudo... até pra não fazer nada!
Aí alguém posta a foto do filho de dois anos babando doce de leite. O primeiro comentário é o maior clichê de todos: "Que lindo!" O segundo: "que fofo" O terceiro: "lindo...". O quarto: "fofo".. . É... a criatividade é uma coisa onerosa... dá preguiça tê-la! o vigésimo quinto comentário é o mais criativo: "como ele tá fofo Ká... parabéns". Aí tem alguém que curtiu um link de algum outro site intitulado: Os benefícios da homeopatia na menopausa do terceiro milênio" - quer dizer - quem vai ler isso?. O título é um convite para não ler, soma-se a isso o fato de que foi uma menina de dezenove anos que lincou, ou seja, o link não havia comentário algum.
Claro que as redes sociais, principalmente essa dai que é o titulo dessa coluna, existem para sanar a carência dos humanos. o Brasil é o segundo país em número de cadastros (63 milhões) atrás apenas do EUA (150 milhões). Diante dessa informação qualquer um pensaria: "vai ter gente carente e fofoqueira assim na China! Pois é... a China é o terceiro país onde mais se usa o portal - e olha que lá é bloqueado, hein.
"Essa foto está show!" alguém comenta sobre uma foto refletida no espelho, tirada com uma péssima resolução e desfocada! Os moleques fazem de tudo para agradar a menina que está a paquerar... vale até elogios em fotos que são horríveis. E então alguém te convida para jogar um troço que chama: Candy Crush Saga. É um joguinho no face em que você tem que formar colunas e linhas de docinhos. Quanto mais colunas ou linhas forem eliminadas, mais pontos você ganha. O negócio e um vício até você se cansar. Quanto mais fase você passar, mais estrada você vai ter para percorrer. Se a pessoa faz poucos pontos, ela para no início da estrada. Se o "amigo" desistiu de jogar com uma quantidade média de pontos, então para no meio da estrada. Tem aqueles viciados que concluem a estrada toda. O cara ficou quantas horas a jogar esse treco? Eu sou paciente para outras coisa , mas não para isso! Tanto que cheguei um pouco mais além da metade de meu caminho e não continuei mais, porém, me abre uma janela a me convidar para outro jogo, em que eu devo salvar animais de uma fazenda. A regra é parecida: quanto mais colunas ou linhas eu eliminar, mais animais serão salvos. Aí vem outro convite para jogar outra coisa e, então, dou início a uma nova saga, mas também não dura muito. Falei: "quer saber: tchau!"
Esse negócio de jogar no computador tira a vida da pessoa! Você esquece do mundo e, se tem algum compromisso mais sério, deve ser forte e abandonar seu jogo no meio da empreitada. Talvez seja por isso que eu nunca fui chegado em video games. Meu medo é justamente esse. Ficar na frente da Tv ou Pc e esquecer da vida. Por isso nem arrisco. Todos os amiguinhos do meu filho tem video-game na sala de aula, mas ela não, já que eu não fui criado com esse brinquedo.
Os patrocinadores do sitio são os piores: "siga essas dicas e perca dez quilos em três semana" ainda existem aquelas fotos do antes e depois: Na foto do "antes", a pessoa está tão magra que se bater um vento, ela voa - parece um filé de grilo! Na foto do "depois" parece que o Capitão América saiu da Máquina Incubadora - faz inveja até no Hulk!
Das informações que circulam na na rede, 80% são desconfiáveis. De toda a quantidade de sites que existentes na internet, 80% são proibidos para menores de dezoito anos. Conclusão: ou tem muita gente acreditando em mentiras, ou tem muita gente vendo coisa que não presta. (e o facebook é uma delas.)

5 de jul de 2013

32 horas no hospital





Sábado último saí da casa sete e meia da manhã como faço sempre, a fim de ir pra escola lecionar. Estacionei o carro, desci, abri a porta do passageiro, abaixei-me para recolher alguns papeis e, nesse momento senti, de repente, um puxão forte nas costas, de modo que achei que era apenas um mal jeito. Bom, vai passar... pensei. Restavam dez minutos para as oito, respirei fundo e pensei: Vamos lá. Andava cambaleante, meio manco, já que a dor era forte. Entrei na sala de aula, havia alguns professores e, já enjoado, quis saber: -quando a gente tem uma forte dor nas costas, vocês sabem o que é? -Apendicite arriscou um deles. -Pedras nos rins, falou outro. Alguém indagou: Nossa! você está branco... o que está acontecendo? Nisso, a coordenadora entra e faz uma pergunta, cuja a resposta, para mim, era muito óbvia: Você está se sentindo bem?
Um aluno meu perguntou se eu estava bem e respondi que podia ser pedra nos rins. -Vixi! Eu já tive isso e rolava no chão de dor.... -E quando a gente tem isso, a dor não passa? -Não! demora pra passar. Outro professor assumiu minhas aulas. A gerente me perguntou se eu voltaria pra casa dirigindo ou iria com o SAMU. Não obrigado! falei do alto da minha fortaleza, -Não precisa chamar o samu. Pode deixar que eu volto dirigindo, afirmei sem ter conhecimento que a dor estava a me derrubar. Uma das secretárias veio junto, porém, ao chegar no carro, antes mesmo de girar a chave, falei: Não dá! chama o Samu.
Enquanto a ambulância não vinha, eu suava frio e a febre era intensa. Lembrarei desse momento como os minutos que mais demoraram para passar em todos os meus trinta e quatro anos de vida. Não sei como aguentei meia hora de espera: era o que me restava, pois! Entrei na viatura já no soro, colheram meu sangue e fui dar no Benficencia Portuguesa às 9h30 da manhã.
Ao descer da viatura, logo sentei numa cadeira de rodas, me colocaram deitado numa antesala e fiquei lá. Ao meu lado havia um senhor, já de idade, que não parava de tossir e mal falava. Mais tarde, entrou uma outra senhora muito doente que fazia cara de dor. São nessas horas que pensamos que, se não tivermos uma vida regrada à hábitos saudáveis, o nosso destino estará fadado a depender dos outros, e acabar numa cama de hospital, com certa frequência.
Aliás, não importa se você tem hábitos saudáveis; toma muita água; se exercita; tem saúde de ferro; se alimenta; não bebe; não fuma, quando se tem predisposição genética, a safada da pedra vai se deslocar do seu rim - uma hora ou outra. Às 13h30 dei entrada na internação e, como estava tomando muito remédio na veia, fiquei com bastante sono, mas não conseguia dormir porque as enfermeiras entravam direto no quarto: buscopan, tamiflu, tramal, novalgina, a dor não cessava e eu não tinha apetite. No domingo, às 15h, fui transferido para o Mário Covas. Ainda brinquei com o médico: Me libera até umas cinco, porque quero ver o jogo (final Brasil x Espanha).
Fiz um exame de tomografia, cujo resultado sai nesta quarta. Tive alta às 17h30. Até o exato momento em que escrevia essas linhas, o incômodo nos rins ainda era presente - convivo com uma dorzinha, mas não é intensa - o problema é se eu tiver cólica, aí corre pro hospital novamente. E olha que já tentei de tudo: chá de quebra-pedra, buscopan, quatro litros de água por dia. A vida segue!

"Tudo que é seu, encontrará uma maneira de chegar até você" - Chico Xavier (1910  - 2002, Minas Gerais), médium.